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  • Fernanda Izzo

Você sabia que existe uma prisão administrada pelos próprios presos?


Trata-se da Prisão de San Pedro, na Bolívia 🇧🇴, que é o segundo país mais pobre da América do Sul. O terceiro maior produtor de cocaína do mundo. País em que quase 50% da população VIVE ABAIXO DA LINHA DA POBREZA.


A prisão de San Pedro fica em La Paz, e por incrível que pareça, os guardas NÃO entram. A influência do judiciário e da polícia é até a PRISÃO do criminoso. O guarda o acompanha somente até a entrada da prisão; lá dentro, ele é apresentado aos líderes, conhecidos por “delegados”. São esses delegados que classificam o preso, escolhem sua cela e passam as regras do local.


O estado fica de fora. As torres de vigia ficam DESOCUPADAS. A justificativa é de que são apenas 20 guardas para uma população carcerária de quase 3k.

A prisão parece uma pequena cidade; há comércios, sendo que todos os presos pagam aluguel mensal e custeiam todo seu consumo, desde produtos de higiene a alimentos. Além disso, todo prisioneiro paga uma TAXA ao entrar na unidade, equivalente a 150 bolivianos ou 21 dólares. Destacando que o valor é bastante alto, tendo em vista que a média salarial do país é de 6,30 dólares por dia. Outro ponto de destaque é que drogas são produzidas lá dentro e traficadas como das mais puras da Bolívia.


Os presos podem levar suas famílias para morar consigo, assim, custeiam apenas um aluguel. Acontece que os custos são tão altos, que normalmente os presos ficam mais pobres dentro do que fora da prisão.


Não há separação entre os detentos. Andam todos no mesmo local, independentemente da idade, do delito que cometeram. Crianças, mulheres, junto de presos por roubo, homicídio, estupro, pedofilia. Vale salientar que os presos da alta hierarquia são os que cometeram os delitos mais graves; quanto pior o crime, melhor a reputação.


Os guardas admitem que atuam somente como poder executivo, que são os delegados que decidem as regras do local e as punições aos presos transgressores. O regimento da unidade é gravado na parede.




O modelo foi implementado em 2002, e traria economia de custo e também de responsabilidade, porque toda a estrutura é gerida pelos presos. Originalmente, estruturada para abrigar 600 presos; o mais preocupante é que existe uma estimativa de que abrigue algo próximo de 3 mil presos, porém, o Estado não sabe com exatidão o tamanho da população carcerária. Não há contagem de presos, como ocorre aqui no Brasil (no Brasil, os presos são contados diariamente).


E se há esta relação aproximada de quantos presos vivem sob a estrutura, os dados mais confiáveis são aqueles fornecidos pelos próprios presos, pois o Estado não faz a gestão destes dados. Inclusive, vire e mexe alguém desaparece e não se sabe se fugiu ou morreu. Infelizmente as autoridades são coniventes, e isso não parece incomodar ninguém.


Origem das fotos e fonte de pesquisa: Documentários BR

Matéria completa deles (e extremamente interessante): https://youtu.be/brGnP7p30N8



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